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Como o cérebro aprende: por que a paixão pelos estudos nasce da competência

“Descubra sua paixão e você nunca mais precisará estudar o que não gosta.”

Essa frase parece libertadora. Inspiradora. Moderna.

Mas… será que ela é verdadeira?


No livro Learning How to Learn, a engenheira e pesquisadora Barbara Oakley conta que odiava matemática quando era jovem. Evitava a matéria. Achava que simplesmente “não era para ela”.

Hoje, ela é professora de engenharia.

O que mudou? Não foi uma paixão repentina por números. Foi o entendimento de como o cérebro aprende. Este artigo está baseado nas anotações pessoais enquanto fazia o curso "Learning How to Learn - pela Universidade do Arizona".


Curso: Aprendendo a Aprender - como ter sucesso na escola sem precisar passar horas estudando
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Entender como o cérebro aprende é uma das chaves para formar crianças e adolescentes mais autônomos, resilientes e motivados.

Durante muito tempo, repetimos que é preciso “seguir a paixão”. Mas a ciência da aprendizagem revela algo diferente: na maioria das vezes, a paixão não vem antes do esforço — ela nasce da competência construída ao longo do processo.

Essa mudança de perspectiva transforma a forma como pais e professores enxergam a educação.

O que a neurociência explica sobre como o cérebro aprende

O cérebro não gosta do que não entende.

Quando uma criança entra em contato com um conteúdo novo e se sente confusa, o cérebro interpreta essa experiência como desconforto. É comum surgir frustração, distração ou até rejeição.

No livro Learning How to Learn, a pesquisadora Barbara Oakley explica que o aprendizado envolve dois modos complementares de funcionamento mental: foco intenso e consolidação mais relaxada. É nessa alternância que as conexões neurais se fortalecem.

Ou seja: dificuldade inicial não é sinal de incapacidade.

É sinal de que o cérebro está trabalhando.


A paixão vem antes ou depois da competência?

A experiência prática mostra que gostar de algo geralmente acontece depois que começamos a entender.

Quando uma criança:

  • resolve um problema sozinha

  • percebe que melhorou

  • consegue explicar um conceito

o cérebro libera sensação de recompensa. Surge motivação.

Competência gera confiança.

Confiança alimenta interesse.

Interesse pode se transformar em paixão.

Mas raramente o caminho começa pelo entusiasmo espontâneo.

Por que crianças evitam o que parece difícil?

Do ponto de vista da neurociência na educação, tarefas desafiadoras ativam áreas cerebrais associadas ao desconforto. É por isso que muitos alunos preferem atividades fáceis ou já dominadas.

Sem orientação adequada, essa dinâmica pode gerar:

  • evasão de desafios

  • baixa tolerância à frustração

  • crença de que “não levo jeito para isso”

O problema não é a dificuldade.

É a interpretação da dificuldade.

Quando ensinamos que esforço faz parte do processo de aprendizagem eficaz, mudamos a narrativa interna do aluno.


Como pais podem estimular o aprendizado de forma saudável


✔️ 1. Valorize progresso, não apenas resultado

Em vez de perguntar “Você gostou?”, experimente perguntar:

“Qual parte ficou mais clara hoje do que ontem?”

Isso direciona o foco para evolução e desenvolvimento da autonomia.


✔️ 2. Normalize o desconforto

Dizer “É normal achar difícil no começo” reduz ansiedade e fortalece persistência.

Crianças precisam entender que frustração produtiva faz parte de como o cérebro aprende.


✔️ 3. Divida em pequenas conquistas

Grandes tarefas geram bloqueio.

Pequenos passos constroem competência.

Microvitórias acumuladas geram motivação real — não apenas entusiasmo momentâneo.



Estratégias práticas para professores aplicarem em sala


✔️ Explique o processo cognitivo

Antes de iniciar um conteúdo novo, deixe claro:

“No começo pode parecer confuso. O cérebro precisa de repetição e pausa para organizar as informações.”

Isso reduz resistência e aumenta foco e concentração.


✔️ Elogie estratégia e esforço estruturado

Valorize tentativas, organização de raciocínio e persistência.

Isso fortalece a mentalidade de crescimento.


✔️ Ajuste o nível de desafio

Aprendizado acontece na zona intermediária:

nem fácil demais, nem impossível. (inclusive em um próximo artigo posso trazer um conceito sobre "lazy learning")

Esse equilíbrio é essencial para manter motivação escolar e progresso contínuo.



Talvez a pergunta precise mudar

Em vez de perguntar:

“Qual é sua paixão?”

Talvez devêssemos perguntar:

“Você sabe como aprender algo novo, mesmo quando ainda não gosta?”

Ensinar alguém a aprender é ampliar suas possibilidades de futuro.

Quando compreendemos como o cérebro aprende, deixamos de depender apenas do entusiasmo e começamos a construir competência consciente.

E é dessa competência que, muitas vezes, nasce a verdadeira paixão pelos estudos.



Seguir a paixão é suficiente para aprender bem?

“Descubra sua paixão e tudo ficará mais fácil.”

A ideia é bonita. Inspiradora.

Mas educacionalmente… incompleta.

No livro Learning How to Learn, a pesquisadora Barbara Oakley conta que evitava matemática quando jovem. Achava que simplesmente “não levava jeito”.

Hoje, é professora de engenharia.

O que mudou não foi a paixão.

Foi a compreensão de como o cérebro aprende.


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